Seminário debate as desigualdades na educação brasileira

Evento na UFRJ reúne cerca de 30 pesquisadores do Brasil para abordar a perspectiva de processos educativos interculturais
 
De 13 a 15 de junho será realizado o seminário “Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde”. O evento acontecerá no Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo é apresentar um panorama crítico sobre as políticas e práticas educativas a partir da interculturalidade, decolonização e diversidades. As inscrições são gratuitas, mas devem ser feitas previamente pela internet.

Para construir essa análise, o encontro reunirá cerca de 30 palestrantes na área de educação, ciências e saúde de estados como Bahia, Ceará, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, além do Rio de Janeiro e uma participação da Argentina. A programação está dividida em conferências, mesas de debates, mostra de filmes, apresentações artísticas, exposições e oficinas que relacionam a educação com teatro, alimentação, patrimônio e artes.

O evento apresentará três conferências. No dia 13, Reinaldo Fleuri falará sobre “Educação e decolonialidade: aprender com os povos originários”. Fleuri é professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com atuação na área de movimentos sociais e educação intercultural. No dia 14, a conferencista será a argentina Ana Dumrauf, professora da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidade Nacional de La Plata, em Buenos Aires. Ana coordena pesquisas na área de educação em ciências naturais, ambiente e saúde, dedicada à formação de professores. A conferência do dia 15 será proferida por Cristina Nascimento, coordenadora da Articulação Nacional do Semiárido Brasileiro (ASA) no estado do Ceará, que abordará sobre a educação contextualizada.

Entre as questões propostas no seminário está a seguinte: “É possível decolonizar as políticas públicas?” Nesse sentido, a relação entre intersecção entre gênero e raça será debatida por Katemari Rosa, pesquisadora em física e filosofia das ciências e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde 2015, ela coordena o projeto de história oral “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

“O que a educação precisa aprender?”. Essa é a outra questão provocadora. A pergunta será debatida por três palestrantes, entre os quais, Gersem Baniwa, professor da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Gersen tratará o tema “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”. Como liderança indígena, ele foi dirigente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Diretor-Presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (CINEP).

A temática a respeito da Política da diferença será apresentada por Elizabeth Macedo, pesquisadora na área de currículo, com ênfase nas discussões sobre cultura em matriz pós-colonial e pós-estrutural. É também coordenadora do grupo de pesquisa Currículo, Cultura e Diferença, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

As desigualdades no Brasil atual também serão analisadas sob a ótica da educação popular, educação quilombola do campo. Além das mesas de debate e troca de experiências, o seminário contará com dois filmes, seguidos de debates com seus idealizadores. O documentário “Anamnese” será exibido no dia 14 de junho. Produzido pelo cineasta Clementino Junior em parceria com o coletivo Negrex, o filme mostra os percalços da vida acadêmica de estudantes negras e negros do curso de Medicina. As histórias conduzem à reflexão sobre o que é o sistema de ensino superior, que tipo de pessoas aceita e que profissionais forma. A sessão será seguida de conversa com Clementino e Pedro Gomes, do Negrex.

Os participantes também poderão realizar oficina com a intenção de compartilhar ideias e projetos, que colaborem para inspirar as práticas educativas articuladas com as práticas culturais. Os temas são Diálogo entre as ciências e o teatro, CulinAfro e Comida é Patrimônio: mapeamento afetivo. Serão oferecidas até 30 vagas por oficina. As inscrições ficarão abertas entre os dias 06 a 12 de junho por meio do formulário (https://goo.gl/forms/pJXz17mfDvAG3jWH2).

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